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Archive for the ‘para refletir’ Category

Abro o portal UAI e vejo:

“A proporção de registros de nascimentos em mães adolescentes (menores de 20 anos) permaneceu praticamente estável em 2006 (quando 20,5% dos nascimentos eram de filhos de mães dessa faixa etária) em relação a 2005 (20,7%), o que significa que, de cada cinco mulheres grávidas no país, uma ainda está na adolescência.

Segundo observam os técnicos do IBGE , a maternidade de jovens menores de 20 anos cria “um agravamento da vulnerabilidade social” das crianças e das famílias.”

“A taxa de mortalidade de jovens do sexo masculino na faixa etária de 15 a 24 anos,foi de 124,4 por 100 mil habitantes no Brasil em 2006, segundo mostra pesquisa divulgada hoje pelo IBGE. “

Sr. Presidente!!!!! Isso é saúde pública! Se quer a CPMF, como o senhor explica o porquê de dados como esses crescerem ano após ano, na mesma proporção em que crescem os descontos da CPMF dos contribuintes? Só nos resta saber uma coisa: CPMF é recurso para a saúde de quem? Desses jovens que morrem todos os dias? Das adolescentes grávidas da região norte do país?

Aff!

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Mais um episódio da série Eu e Meus pacientes.

Tem doido pra tudo? Tem sim. Mas o mais interessante é ler a opinião dos ditos “doidos”, no nosso humilde jornalzinho, sobre o que é notícia nos jornais de grande circulação nacional. Vejam só o que alguns dos nossos pacientes do CERSAM disseram numa de nossas “colunas”, entituladas como Crítica Social:

CRÍTICA SOCIAL

Eu não me vejo do tamanho que me vêem, mas do tamanho que eu sou.

O adolescente, o ofendido, o jogador e o ladrão honrado.

O adolescente – são pessoas expostas a todos os tipos de risco. O assédio as drogas: mostrando um mundo ilusório e maquiado. O assédio ao sexo: a troco de uma roupinha ou mesmo a algumas bijuterias e ainda alguns trocados.

O ofendido – aqueles humilhados dos parques que se cobrem com seus jornais “mangueiam”, ou seja, pedem dinheiro para beber, fumar e comer (coisas que são comuns). Muitas vezes são incinerados vivos como foi o grande líder indígena Galdino.

O jogador – Edmundo, um celebre atleta bem sucedido, brigão, indisciplinado, mau exemplo; causou três “hábitos” por infringir a legislação do trânsito e nenhuma punição sofreu por ser rico e famoso.

O ladrão honrado – aquele homem, em são Paulo, que foi preso recentemente por ter subtraído de um supermercado alimentos para seus filhos; fora preso em meio a bandidos por ordem de um incompetente delegado que desconhece o código penal, pois esse tipo de crime é tratado pelo código penal como crime “fomérico” e imputável apenas como pagamento, o trabalho correspondente ao valor furtado.

Autor: E.B.

 

País sem lei. O Brasil é um dos países mais corruptos do mundo, onde seus políticos não dão o respeito ao seu povo, que botam eles no poder, votando neles.

Autor: M.M.

O mais interessante disso tudo: pra quem recebe o rótulo de doido, eles são mais lúcidos do que muitos “normais” que andam por aí e que dizem não ver, não ouvir e nem saber o que acontece no país chamado Brasil!

 

 

 

 

 

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Alguns dos amigos que aqui vêm sabem que trabalho com pacientes psiquiátricos. Tarefa árdua, mas muito prazerosa. Optei por expor aqui uma série falando um pouco sobre meus pacientes, e inauguro com um dos casos que mais me sensibiliza na minha profissão de enfermeira. É o caso do Adão (ficou longo, mas a história é bonita, vale a pena ler, não sejam preguiçosos! rsrsrs) – ele, até ano passado, era um homem barbudo, com o cabelo enorme, obeso mórbido, que andava nu, e que era pretim-retinto pelo pó de asfalto, pois vivia na rua. Não permitia que ninguém se aproximasse e sempre dava as costas a quem tentava puxar uma conversa. Andava com um cobertor, que usava durante a noite, cuidadosamente enrolado por cima da cabeça (como se fosse uma trouxa).

Foram feitas várias tentativas de abordagem de Adão, mas todas sem sucesso. Ele, além de ser morador de rua, também é portador de um transtorno mental – esquizofrenia.

Certo dia, o Serviço de Abordagem de População de Rua da Prefeitura iniciou nova abordagem a Adão e conseguiu trazê-lo ao CERSAM. Me lembro que quando chegou, ele nem me deu confiança – fez comigo exatamente como fazia com as pessoas que tentavam abordá-lo na rua – me deu as costas e me deixou com cara de tacho! Optamos por mantê-lo no CERSAM durante o dia e a noite também, até estabilizar o quadro. Adão falava sozinho; delirava, recusava-se em dormir na cama; à noite permanecia dormindo sentado num dos bancos da recepção, ou no chão, e urinava em qualquer lugar após fecharmos a porta; estava hipertenso, com risco de sofrer um AVC ou infarto. Com muito custo, após 15 dias, conseguimos convencê-lo de cortar o cabelo (ou melhor, raspar, pois os cabelos eram puros nós e sujeira) e fazer a barba. Não sentava-se no refeitório; e sempre comia usando as mãos – recusava talher. Não era hostil, mas isolava-se. Respeitei suas vontades e seu espaço no início. Porém eu precisava me aproximar para conseguir tratá-lo, mas como fazer isso?

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Desde os primeiros dias percebi que Adão sempre catava bitucas de cigarro pelo chão. Juntava todas em um maço velho e amassado; depois ele pedia uma folha de papel e juntava todo o fumo restante dessas bitucas, formando um cigarro. Como sou fumante, olhei pro meu maço e pensei: “É com isso aqui que vou me aproximar”. Ofereci-lhe um cigarro; ele aceitou e agradeceu, mas ainda manteve-se distante. Em outros dias eu lhe arrumava 2 ou 3 cigarros; até que um dia ofereci-lhe um maço – ele já me olhou diferente, agradeceu novamente e até esboçou um sorriso. Aos poucos puxo uma conversa daqui, outra conversa dali, mas ele sempre colocando limites em suas respostas.

Vinte dias se passaram e Adão já não suportava mais ficar dia e noite no CERSAM. E quando o pessoal que o trouxe vieram visitá-lo, ele deu um ultimato: “Vocês hoje só saem daqui se me levarem pro lugar de onde vocês me buscaram; “quero dormir olhando pras estrelas, como sempre fiz”. Momento delicado. Ele estava irredutível – queria ir embora e ponto final. Combinei com ele o seguinte: que ele poderia voltar para a rua, desde que na manhã seguinte aceitasse ser buscado pela nossa kombi – passaria os dias conosco e as noites na rua dormindo “olhando para as estrelas”. Ele concordou, mas no dia seguinte não cumpriu o trato. Pensei: perdemos o caso; mas mesmo assim insisti na busca diária no local onde ele foi deixado, na esperança que aparecesse. E qual não foi a minha surpresa, dois dias depois, Adão cumpriu sua parte; estava lá à espera da Kombi. Fiquei numa alegria sem fim. No início, ele mesmo definiu sua freqüência no CERSAM (informalmente): duas vezes na semana; depois passou a vir três e assim por diante. Numa de nossas conversas perguntou meu nome (pela terceira vez), e com aquele vozeirão de Tim Maia, disse: “Dra. Jacqueline, você é legal! Você é maneira! Eu cri na senhora e não me arrependi! A Sra. disse que eu poderia voltar a noite pra dormir olhando pras estrelas, se eu viesse ficar o dia aqui, e a senhora cumpriu o combinado. A Sra. é maneira! Agora eu não perco mais isso aqui de vista”. Me senti tomada por uma satisfação enorme; indescritível – o vínculo ao CERSAM estava feito!

À medida que freqüentava o CERSAM e aceitava a medicação, Adão estabilizava o quadro e revelava um pouco mais de sua história, mas não me dizia seu nome verdadeiro. Ele nasceu no Espírito Santo, depois foi morar próximo à Governador Valadares; entende quase tudo de plantação de feijão e arroz – veio para BH com a família (irmãos e pais), mas não sabe onde eles estão. Adão fala muito bem, apesar de sua longa trajetória na rua, e de usar algumas gírias, conjuga os tempos verbais muito bem. Sabe ler e escrever. É educado e gentil. Não se envolve em confusões dentro do CERSAM, pelo contrário – evita-as a todo custo. Diz que tem uma irmã que também é moradora de rua, mas não sabe onde ela está, e que tem um irmão que foi “mais estudado e que venceu na vida; ele tem uma casa”; conta que o irmão mora naquela região por onde ele anda. Mas que esse irmão, apesar de já tê-lo visto na rua, nunca se aproximou dele. Adão se lembra do endereço. Fomos com ele até a rua onde indicou, mas ele não reconheceu a casa, e no número que ele fornece, não existe o irmão dele.

Meses mais tarde, Adão me fala seu nome todo: “Me chamo B.T.S, nasci no dia tal, mês tal e ano tal e na cidade tal; estudei na Escola X. O nome da minha mãe é fulana de tal. Fomos conferir junto ao Instituto de Identificação pelas impressões digitais – e é verdade; ainda descobrimos mais – Adão já havia cumprido pena por homicídio. Procuramos informações na cidade onde ocorreu o fato; os moradores mais antigos relataram para a assistente social que se lembravam de um rapaz, com o nome dele, que teve a primeira crise na juventude, e que nessa crise acabou assassinando um homem; e por causa disso, e por pressão dos moradores locais, ele e os pais se mudaram para BH em busca de tratamento. E ele me contou com detalhes como tudo aconteceu: diz que usou uma barra de ferro, mas que foi para se proteger, pois o homem (deu o nome) o provocou muito, ofendeu e o agrediu. Ele disse que não queria matar, mas que o pior acabou acontecendo. Conta que cumpriu pena; ele diz: “fui amarrado, com as mãos pra trás! Fiquei na gaiola; preso na gaiola – 9 meses, mas já cumpri minha pena”; e repete várias vezes: “fiquei amarrado, com as mãos pra trás – fiquei preso na gaiola feito passarinho”.

Ainda há lacunas de sua história que não conseguimos preencher: o que aconteceu com a família de B.T.S? Onde estarão? Como ele foi parar na rua? – essas e outras perguntas estão ainda sem respostas. Foi providenciada foto e carteira de identidade para B.T.S. , e hoje Adão só é Adão para os transeuntes – mas perguntei a ele: “se você é B.T.S, por que então você atende quando lhe chamam de Adão? Ele responde: “Porque esse é o nome que me dão na rua!” (já que tinha o hábito de andar nu pelo viaduto da Lagoinha e imediações) “e pra não ser mal educado, eu atendo quando me chamam assim!” Hoje ele quase não fala sozinho, não observamos os delírios de antes, usa o banheiro como todos (e adora disparar a descarga, rsrsrs), só anda vestido com calça e blusa, de barba feita uma vez na semana, cabelo aparado mensalmente, de banho tomado (mas quando recusa, não há quem o convença), de vez enquando, pede para cortarmos suas unhas, sempre come usando talher e senta-se à mesa, mas ainda gosta de dormir na rua, olhando para as estrelas, e ficar com seu cobertor enrolado na cabeça.

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* Hoje faz um mês que aconteceu a tragédia do vôo da TAM – das 199 vítimas, 194 foram identificados – ainda faltam 5.
* “Desapareceram” 23 minutos de gravação de voz do vôo.

Ordem e progresso – são esses os dizeres que vemos estampados em nossa bandeira, certo? Significam: ordem por base e progresso por fim. Bonita a definição, mas para quem? Vejamos o que o nosso país tem de ordem e progresso (vou citar aqui algumas poucas coisas):

  • Caos na Saúde: enquanto vivemos a nossa realidade de falta de atendimento médico decente nas unidades de saúde (devido muitos fatores, mas também à falta de medicamentos nos mesmos) nosso pré-sidente solidário da silva autoriza o envio de medicamentos para as vítimas do terremoto no Peru (ele também fez isso na ocasião do tsunami). Brasil é solidário pra caramba!

  • Caos na Educação: professores mal remunerados intimidados por alunos armados dentro das salas de aula, escolas depredadas e saqueadas, crianças que não sabem ler, e que muito mal e porcamente assinam o próprio nome, e que são aprovadas todos os anos. Se depender da atual educação, muito em breve farão alterações nos dizeres da bandeira, ao invés de progresso, leremos pogreço!

  • Caos no Sistema Viário: estradas mal conservadas e mal sinalizadas, algumas delas parecem obra de ET, pois a única serventia foi desviar dinheiro público, já que unem o nada ao lugar nenhum, e outras que promovem a morte de milhares de pessoas por ano, e ainda tem o risco de ser assaltado, seqüestrado e até mesmo assassinado por bandidos armados com revólveres ou fuzis, ou mesmo com um carro ou caminhão (sim, existem assassinos em potencial atrás de um volante). E não duvido que já tenham dito: se querem viajar, que usem drogas!

  • Caos na Segurança: onde o réu primário responde o processo em liberdade, mesmo que ele seja confesso no estupro e assassinato; onde a polícia prende, mas justiça solta quando eles cumprem o absurdo de 1/3 da pena; onde bandidos podem sair no natal para ver papai noel e na páscoa para ver o coelhinho botar ovos! Onde marginais, de dentro do presídio, intimidam as pessoas aqui fora, e conseguem extorquir dinheiro; onde dentro dos presídios alguns têm o luxo de fazer churrasco nos fins de semana, têm DVD, Tvs modernas, celulares e outras coisitas mais. Que isso, gente! Isso são direitos humanos!

  • Caos no Sistema Aéreo: onde dois aviões se chocam em pleno vôo, porque nossa tecnologia de radares (ou coisa parecida) está ultrapassada; onde benefícios são concedidos às empresas aéreas, de modo que o que deveria ser fiscalizado, retirado ou substituído não acontece – tá tudo liberado. Onde uma pista de aeroporto não oferece segurança a quem voa, seja por ela ser pequena, seja por não ter área de escape, por não ter o tal do grooving, pois o mais importante é colocar mármore nas salas de embarque e desembarque para que as pessoas passem horas e horas a admirá-los, até mesmo dias, pois não conseguem embarcar, e têm que se sujeitar a deitar no chão ou nas cadeiras dos aeroportos para aguardar, caso contrário, perderão seus lugares nos aviões. Quantas vezes ele precisará repetir, gente: ao voar, façam como eu, coloquem sua vida nas mãos de Deus! Ô povo teimoso, sô!

  • Caos na política: onde todos os dias pipocam escândalos e mais escândalos de corrupção e desvios de dinheiro, obras super-faturadas, malas, cuecas, valeriodutos, trocentas CPI’s, todos absolvidos, e trocentas pizzas que nos empurram goela abaixo. Existe alguma pizzaria que fature mais do que a do planalto?

  • Caos na consciência: onde a maioria aplaude e se contenta com bolsa-família, bolsa-escola, e bolsa não sei mais o quê, mas não como um auxílio, e sim como meio de sobrevivência, ao invés de cobrar trabalho e salário dígnos; onde todos assistem a uma sessão deboche de relaxa e goza e depois top-top-top, mas antes passando por uma dança comemorativa ao mensalão; e o lance é mesmo comemorar, afinal o povo tem o carnaval, as micaretas, tivemos o PAN, o Cristo Redentor como uma das 7 maravilhas, os campeonatos estaduais e brasileiro de futebol, o bolsa-família, o bolsa-escola…Êita paisinho bom esse, meu Deus!

  • NÃO!!!! Eu não quero mais meu país assim!!!! Eu quero respeito, eu quero ordem, eu quero progresso, quero ter orgulho de ser brasileira e gritar aqui nesse blog que as coisas no meu país funcionam!!! Eu não quero que meu país seja composto de Marcos Valérios, de Josés Genuínos e Dirceus, de Malufs, de Garotinhos, de Dilmas Roussens, de Suplicys e de miseráveis que se contentam e conformam com os bolsas-não sei o quê, e um governo que se vangloria por mantê-los assim, como eternos “companheiros” excluídos de qualquer coisa.

    Quero que culpados sejam punidos. Quero meu país com oportunidades, justiça e assistência a todos; não quero ostentar o nariz de palhaço, e quero que a única pizza que eu coma, seja aquela que eu pedir na pizzaria e no sabor que me agradar. Será que é tão difícil isso? Se não mudarmos, se não cobrarmos dos nossos políticos, a definição do que está escrito em nossa bandeira será: Ordem para ser colocada embaixo da base e para por fim ao Progresso.

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Na Folha On-Line de ontem foi publicado que o Brigadeiro Kersul rebateu as acusações de que militares da Aeronáutica seriam os responsáveis pelo sumiço dos pertences das vítimas do acidente da GOL – vôo 1907, e mostrou um vídeo no momento do resgate. Segundo ele, a prioridade da Aeronáutica sempre foi achar corpos e eventuais sobreviventes.

“Homens de honra realizaram o trabalho de resgate das vítimas. Os bens materiais realmente nunca foram a nossa prioridade, nunca foi. Será que esses homens estavam preocupados em tirar um celular, um documento, para depois comprar um carro?…”, disse ele.

O Brigadeiro mostrou um vídeo do resgate, “o que levou às lágrimas parentes de vítimas do Boeing da Gol que acompanharam a sessão da CPI. Kersul também deixou a sala da CPI chorando, depois de relembrar os trabalhos de resgate realizado pelos militares – já que participou das buscas no local do acidente”.

“Terei que reabrir hoje, aqui, feridas que eu tentei curar. Cabe a mim não deixar dúvida nenhuma, com a versão de quem esteve lá”, disse.

Certo. Não acredito mesmo que todos que ali estavam agiram de má fé, mas não se pode ignorar que em qualquer sociedade, profissão, equipe, grupo, casta (classifiquem como quiserem) existem aqueles que se aproveitam de qualquer situação, inclusive dessa; ninguém é tão inocente para não acreditar nisso. Para mim, é descabido apelar emocionalmente para defesa de um grupo, como fez o Brigadeiro, pois abre margem a questionamentos; ele acabou por expor mais ainda o grupo – foi um tiro no pé.

Essa defesa feita com tanta veemência, e tão apelativa, pareceu mostrar que a dor dele e a honra do grupo são muito superiores à das famílias. Ao meu ver, foi uma tentativa de inversão dos papéis. E que é um absurdo questioná-los como um celular e documentos de algumas vítimas foram parar nas mãos de terceiros para serem utilizados em golpes na praça.

Sinceramente, sem desmerecer os militares que ali estavam presentes, e que trabalharam arduamente naqueles dias, mas pra mim, isso foi o mesmo que admitir que isso é possível, que dentre eles há pessoas (não todos, como em qualquer profissão ou grupo) que agem desonestamente e inescrupulosamente, que sabem quem são (ou pelo menos desconfiam), mas que pensaram que isso não viria à tona, e agora se vêem em uma saia justa.

Sabemos que naquele local muitos outros profissionais estiveram, como repórteres, bombeiros, técnicos do IML e cabe ao governo apurar quem eram. Não é possível que qualquer pessoa com autorização podia chegar até lá sem terem seus dados anotados (exceto os índios, é claro), mas acredito que onde se encontravam o maior número dos destroços e corpos haviam militares presentes (com a intenção mesmo de preservar o máximo que pudessem no local). Aquele acidente não aconteceu ali na esquina ou na rodovia, onde qualquer um poderia furar o cordão de isolamento e perambular por lá. Não estou dizendo que também deveriam ter recuperado tudo, já que isso é impossível, mas que é no mínimo estranho saber que documentos e celular foram adquiridos por terceiros para golpe, lá isso é. O que essas famílias querem é identificar responsáveis e puni-los, doa a quem doer. Mas querer isentar todo um grupo e transferir toda a responsabilidade para outros que ali estavam (e é claro que nessa os índios levariam a fama, inclusive por preconceito) é demais pro meu gosto.

Ainda segundo essa reportagem da Folha On-Line, antes das imagens apresentadas por Kersul, familiares de vítimas do acidente também mostraram um vídeo que teria sido confeccionado por um militar com cenas dos corpos das vítimas. Segundo familiares, o vídeo chegou a ser colocado no YouTube, mas acabou retirado após protestos da Associação dos Familiares das Vítimas do Vôo 1907.

Kersul, segundo a reportagem, afirmou que não foram os militares que fizeram o vídeo, mas penso que para os familiares acusarem, é porque devem ter como provar, pois essa é uma acusação grave e muito comprometedora. Depois que li isso fui ao You Tube e vi dois vídeos, digamos, promocionais, realizados supostamente pelos bombeiros e pela FAB sobre esse acidente e seus trabalhos, e por isso, não duvido da fala dos familiares.

Cada um faça a análise que quiser. Essa é só a minha opinião.

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Ontem aqui em BH aconteceu um fato que julgo polêmico. Um senhor de 51 anos, cansado de ter a sua casa assaltada (4 vezes contando com essa), resolveu agir por conta própria ao deparar-se com um assaltante na garagem de sua casa. Ele e o filho entraram em luta corporal com o assaltante; imobilizaram-no e acionaram a polícia.

Claro que houve um “excesso” na “imobilização” por parte do dono da casa e de seu filho – agrediram o marginal a socos e pontapés, provocando uma fratura no braço e escoriações na face e na orelha. Segundo alguns moradores do bairro, o assaltante em questão era responsável por vários furtos em diversas residências, inclusive na residência desse senhor em outras ocasiões, e ainda intimidava e agredia fisicamente suas vítimas, caso chamassem a polícia ou o denunciassem; ninguém na região conseguia ficar tranqüilo dentro de casa. Sua ficha na polícia é extensa e ele estava em condicional desde o dia 13 de julho desse ano.

Por realizarem a “justiça com as próprias mãos”, leia-se agressões que cometeram contra o marginal, pai e filho vão responder processo por lesão corporal, e poderão ser condenados a, no mínimo, 2 anos de reclusão. Papéis invertidos? De vítima a algoz?

Por impulso, acho que eu faria o mesmo, pois não confio muito no sistema judiciário desse país. Fora a raiva de ver aquilo que conquistei ser usurpado de mim por alguém que pouco se importa se irá preso ou não, já que depois de um certo tempo estará solto novamente para voltar ao “trabalho”, e que ainda se vê na condição de me intimidar com possíveis e futuras agressões. Isso é debochar do sistema judiciário; é debochar de todos nós, da nossa impotência.

Nossas leis são muito antigas, não há punição de fato, nosso sistema carcerário é digno de … (melhor não falar), os presídios estão super-lotados, ultrapassados, os policiais civis ganham mal, e a corrupção existe em todos os segmentos. A sensação de impunidade, descaso e abandono é enorme; aliás, não é sensação, é constatação.

Mas por outro lado, estando na condição de raciocinar e analisar, e não estando movida pela raiva e medo da situação ocorrida com esse senhor e seu filho, acho que se todos fizerem justiça pelas próprias mãos, o que será de todos nós? Se qualquer um que sentir-se injustiçado, lesado ou prejudicado resolver tomar suas próprias providências, isso aqui vai virar terra de ninguém; terra sem lei. Se bem que os marginais já fazem isso quando se sentem lesados, pois caso a vítima não tenha dinheiro o bastante para lhe entregar no assalto, ou eles agridem, ou matam – simples assim.

Agora quero ler vocês: o que você faria ao se ver na mesma situação daquele senhor? Reagiria da mesma maneira ou deixaria a cargo da polícia e justiça?

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